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Novo dia... e diuturnamente busco o alívio dos meus dias. Trago na alma muito desprendimento, pouco combate, muita negociação, pouco aventurar-se, muitas moderações, poucas garantias, muito equívoco, pouca experiência, muita vontade, pouca ação, pouco, muito, muito, pouco. Sem equilibrar, com comedimento, já que sou coerente, já que não me resta ironia, já que tudo é distração e concentração. Contraditório assim mesmo. Realizo as tarefas diárias leve, bem leve... pelo menos tento, ao menos finjo.
A vontade do dia é de seguir o ID e de ser inconsequente, largar tudo e colocar a mochila nas costas... Fazer sem pensar, ponderar ou agir.
Mas eu estou muito, muito prudente (muito mesmo); o tempo está tirando minha inconsequência, embora não leve minha espontaneidade, a pueril estória do disponível e impensado dá lugar ao adulto cheio de pudores e medos.
A vontade do dia é de seguir o ID e de ser inconsequente, largar tudo e colocar a mochila nas costas... Fazer sem pensar, ponderar ou agir.
Mas eu estou muito, muito prudente (muito mesmo); o tempo está tirando minha inconsequência, embora não leve minha espontaneidade, a pueril estória do disponível e impensado dá lugar ao adulto cheio de pudores e medos.
"Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia".
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia".
Fernando Pessoa
E mais Pessoa:
"Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco.
Esse era meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!"
"... eu vejo isso por cima do muro..."

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